De 3 de Abril, ainda bastante actual:
Nada retorna.
Células que se esvaem, e ainda uma mínima réstia de expectante.
A sombra de um gajo sombrio por cima da montanha, cuja escalada invertida faz estremecer.
Não se vêem caras, não se vêem mundos. Vê-se o mínimo, e alguns tudos pelo meio..
Ilusão.
Rasgo de confiança por uns intervalos afora até ao amanhã, que pode ser hoje, dia em que é inútil, porque sempre foi inútil.
Dia sem tempo.
Ficam os lugares comuns, para que não percam o comum que neles há, outro tanto de inútil.
As miragens que passaram. No desespero sabia-se a recta das coisas, com dor. No lume brando, era questão de procurar, sabendo os estados de espírito. Lidar pontualmente, mesmo com a visão desfocada de outrém, perfeitamente sabida e nem sequer um desafio. A visão que vão questionar, como sempre.
Mas hoje acabou. Retrocedo para o ninguém, pescador sem o dar conta da próxima pequena ilusão que o queira ser, para nela me aperceber novamente do perpétuo que não quero. E nela redespertar a semi-fúria de estar mal vivo, e me lembrar de mim mesmo, e se sobrar espaço, confiar no eu dos futuros breves, esmagar de leve a antecipação do indesejável. Mas sem exageros, a noção, sempre. Noção invísivel, mas pura.
Não é o mais fácil nem o mais difícil. É como se acorda.
Se me pudesses um dia entrar na cabeça e ver o que eu vejo. E sentir... Ias perceber tão bem, ias ver o quanto te enganas.